Perdoa - me è a tua voz que
oiço cansada não a quero
vê - la sofrer
eu morreria por ti
um nome amoroso
clamoroso apaixonante
perfumado
Perdoa - me è a tua voz que
oiço cansada não a quero
vê - la sofrer
eu morreria por ti
um nome amoroso
clamoroso apaixonante
perfumado
Simplesmente os teus olhos rasgados
o sofrimento a paixão o desejo a alegria
a violência o perdão
tudo nos è atribuído o teu perfil tão
elegantemente recordado que faz lembrar
o céu estrelado nos teus lábios ardentes
ligeiramente descerrados
nota - se um sorriso virginal que lembra
o despontar de uma flor num roseiral
a tua cabeleira sobre os ombros caìda
è a tua alma muitas vezes ferida a imagem
è a pureza duma franqueza jamais esquecida
Quero fazer um poema de amor
que não conheces das coisas que
penso do amor que te devo
da vontade de amar das carícias
perdidas na rotina do quotidiano
na crueldade do tempo no equinócio
da vida
um poema que seja sò amor por amor
para ti e onde possa amar - te um poema
aqui neste poema e por amor um poema
a querer - te amar
Neste lugar parado das coisas
cada palavra combate a ignorância
das coisas que hão - de mudar no
momento exacto da partida
resulta sempre uma nova imagem
que è inversa ao caminho percorrido
de conteúdo ausente no espaço onde
a noticia antiga permanece como a
novidade recém nascida da surpresa
nua que começa no princípio metálico
da descoberta que deu luz a poesia
desmedida que desfeitear a invasão
exacta das coisas apreendidas no momento
exacto da chegada
possivelmente somos os dois
seres intemporais nascidos
numa outra galáxia
no outro planeta numa estrela
algures sem idade em constante mutuação
a razão sem a razão dos comuns mortais
a razão será o amor o enigma a desvendar
ou talvez não como è que viveríamos sem
o amor sem o ar o que seria de nòs seres
mortais sem o amor
Cantaria mesmo que tu não existisses
faria amor com as palavras eu cantaria mesmo que tu
não existisses
porque haveria de doer a tua ausência
por isso canto alegre ou triste com se
a cantar trocasse a tua boca ainda antes
da tua presença doeria mesmo depois
da morte
eu cantaria mesmo que tu não existisses
ò minha querida esbelta princesa doce
companheira
eu festejo o teu corpo como um rio onde
exausto chegarei ao mar
porque nada eu direi sem o teu nome
porque nada existe além da tua vida da tua pele
tão maia dos teus olhos magoados assim quero
cantar - te meu amor além da morte
meu amor
e o que nos restou não chega
para afastar o frio de quatro
paredes
gastamos tudo menos o silêncio
Gastamos os olhos com o sal
das lágrimas
Gastamos as mãos à força
de as apertarmos
Gastamos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis
meto as mãos nas algibeiras e não encontro
nada antigamente tínhamos tanto para dar
um ao outro era como se todas as coisas fossem
minhas quanto mais te dava mais tinha para te dar
as vezes tu dizias os teus olhos são verdes e eu acreditava
acreditava porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis
mas isso era no tempo dos segredos no tempo em que os meus
olhos eram realmente peixes verdes
hoje são apenas os meus olhos è pouco mas è verdade uns olhos
como todos os outros
já gastamos as palavras agora quando digo meu amor já não se não
passa absolutamente nada e no entanto antes das palavras gastas
tenho a certeza que todas as coisas estremeciam sò de murmurar
o teu nome no silêncio do meu coração
não temos já nada par dar dentro de ti não há nada que me peça
água o passado è inútil como um trapo velho e já disse as palavras
estão gastas Adeus
dedicado a Ana Pereira por fausto fonseca
poema de Eugénio de Andrade in Poesia e Prosa
por te amar deste jeito sem jeito para te amar
Adeus !
Tu ès o principio e o presente eu sou agora o tempo que quiseste ontem tambèm o era mas ontem e amanhã são um tempo para mim e para ti mi...