segunda-feira, 8 de março de 2021

Minha Deusa

 Tu  ès  o principio e o presente

eu sou agora o tempo que quiseste

ontem tambèm o era mas ontem

e amanhã são um tempo para mim

e para ti minha Deusa ontem e amanhã


são apenas tu contigo è sempre presente

por isso  minha Deusa eu sou teu porque

foste  tu  que  criaste este amor em mim

por ti  ...

  vivo porque amo para te amar

tu bem sabes o quanto preciso

de ti  ... amo - te loucamente !
 

Musica

Dedicado a Ana Pereira


Ouvindo musica  como tudo

è tão grande neste silêncio

a musica è tudo o mundo està


là  fora evoco esse mundo

fabuloso e insignificante

que fica ao pè da porta


e quedo - me ainda mais

admirado o sonho habito -

 - me 


hà um grande espaço

cheio de emoção per-sinto

apenas uma grande paz


 

Margem

 a  Ana Pereira



A  margem  da coragem havia

outrora  um lago profundo

límpido e prateado


ventos magnéticos agitam

as águas espalham - se arrepios

a superfície distantes os ídolos 

ficam no meio do caminho

servem - se de  espantalhos


aos pardais e quando voltas a jogar

regressas anónima a fitar à única

estrela


A tua voz

a Ana Pereira


Perdoa - me è a tua  voz que

oiço cansada não a quero

vê - la  sofrer


eu morreria  por ti

um nome amoroso

clamoroso apaixonante

perfumado
 

Simplesmente os teus olhos


 a   Ana   Pereira


Simplesmente os teus olhos rasgados

o sofrimento a paixão o desejo a alegria

a violência o perdão

tudo nos è atribuído  o teu perfil tão

elegantemente recordado que faz lembrar

o céu estrelado nos teus lábios ardentes

ligeiramente descerrados


nota - se  um sorriso  virginal que lembra

o despontar de uma flor  num roseiral

a tua cabeleira sobre  os ombros caìda 

è  a  tua alma muitas vezes ferida a imagem

è a pureza duma franqueza jamais esquecida 

O teu Poema

 a  Ana  Pereira


Quero  fazer um poema de amor

que não conheces das coisas que

penso do amor que  te devo


da vontade de amar das carícias

perdidas na rotina do quotidiano

na crueldade do tempo no equinócio

da  vida

um poema que  seja sò amor por amor

para ti e onde possa amar - te um poema

aqui neste  poema e por amor um poema

a querer - te amar 

 

Viagem

a  Ana Pereira


   Neste  lugar  parado das coisas

cada palavra combate a ignorância

das coisas que hão - de mudar no

momento exacto  da partida


resulta  sempre  uma nova imagem

que è inversa ao caminho percorrido

de conteúdo ausente no espaço onde

a  noticia antiga permanece como a

novidade recém  nascida da surpresa

nua que começa  no princípio metálico

da descoberta que deu luz a poesia 

desmedida  que desfeitear a invasão

exacta  das coisas apreendidas no momento

exacto da chegada

 

sexta-feira, 5 de março de 2021

AMAR

Tu ès a razão do meu viver

possivelmente somos os dois

seres intemporais nascidos

numa outra galáxia

no outro planeta numa estrela


algures sem idade em constante mutuação

a razão sem a razão dos comuns mortais

a razão será o amor o enigma a desvendar


ou talvez não como è que viveríamos sem

o amor sem o ar o que seria de nòs seres 

mortais sem o amor
 

Canção de Amor


 dedicado a Ana Pereira

            Cantaria mesmo que tu não  existisses

faria amor com as palavras eu cantaria mesmo que tu

não existisses


porque haveria de doer a tua ausência

por isso canto alegre ou triste com se

a cantar trocasse a tua boca ainda antes

da tua presença doeria mesmo depois

da morte


eu cantaria mesmo que tu não existisses

ò minha querida esbelta princesa doce

companheira


eu festejo  o teu corpo como um rio onde

exausto chegarei ao mar


porque nada eu direi  sem o teu nome

porque nada existe além da tua vida da tua pele 

tão maia  dos teus olhos magoados assim quero

cantar - te meu amor além da morte

Adeus

Já gastamos as palavras pela rua

meu amor

e o que nos restou não chega

para afastar o frio de quatro

paredes 

gastamos  tudo menos o silêncio


Gastamos os olhos com o sal

das lágrimas

Gastamos as mãos à força

de as apertarmos


Gastamos o relógio e as pedras das esquinas

em esperas inúteis


meto as mãos  nas algibeiras e não encontro

nada antigamente tínhamos tanto  para dar

um ao outro era como se todas as coisas fossem

minhas quanto mais te dava mais tinha para te dar


as vezes tu dizias os teus olhos são verdes e eu acreditava

acreditava porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis

mas isso era no tempo dos segredos no tempo em que  os meus

olhos eram realmente peixes verdes


hoje são apenas os meus olhos è pouco mas è verdade uns olhos

como todos os outros


já gastamos as palavras  agora quando digo meu amor já não  se não

passa absolutamente nada e no entanto antes  das palavras  gastas

tenho a certeza que todas as coisas estremeciam sò de murmurar 

o teu nome no silêncio do meu coração


não temos já nada  par dar dentro de ti não há nada que me peça

água o passado è inútil como um trapo velho e já disse  as palavras

estão gastas  Adeus


dedicado a Ana  Pereira por fausto  fonseca

poema  de Eugénio de Andrade in  Poesia e Prosa

por te amar deste jeito sem jeito para te amar

Adeus !
 

Minha Deusa

 Tu  ès  o principio e o presente eu sou agora o tempo que quiseste ontem tambèm o era mas ontem e amanhã são um tempo para mim e para ti mi...