sexta-feira, 5 de março de 2021

AMAR

Tu ès a razão do meu viver

possivelmente somos os dois

seres intemporais nascidos

numa outra galáxia

no outro planeta numa estrela


algures sem idade em constante mutuação

a razão sem a razão dos comuns mortais

a razão será o amor o enigma a desvendar


ou talvez não como è que viveríamos sem

o amor sem o ar o que seria de nòs seres 

mortais sem o amor
 

Canção de Amor


 dedicado a Ana Pereira

            Cantaria mesmo que tu não  existisses

faria amor com as palavras eu cantaria mesmo que tu

não existisses


porque haveria de doer a tua ausência

por isso canto alegre ou triste com se

a cantar trocasse a tua boca ainda antes

da tua presença doeria mesmo depois

da morte


eu cantaria mesmo que tu não existisses

ò minha querida esbelta princesa doce

companheira


eu festejo  o teu corpo como um rio onde

exausto chegarei ao mar


porque nada eu direi  sem o teu nome

porque nada existe além da tua vida da tua pele 

tão maia  dos teus olhos magoados assim quero

cantar - te meu amor além da morte

Adeus

Já gastamos as palavras pela rua

meu amor

e o que nos restou não chega

para afastar o frio de quatro

paredes 

gastamos  tudo menos o silêncio


Gastamos os olhos com o sal

das lágrimas

Gastamos as mãos à força

de as apertarmos


Gastamos o relógio e as pedras das esquinas

em esperas inúteis


meto as mãos  nas algibeiras e não encontro

nada antigamente tínhamos tanto  para dar

um ao outro era como se todas as coisas fossem

minhas quanto mais te dava mais tinha para te dar


as vezes tu dizias os teus olhos são verdes e eu acreditava

acreditava porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis

mas isso era no tempo dos segredos no tempo em que  os meus

olhos eram realmente peixes verdes


hoje são apenas os meus olhos è pouco mas è verdade uns olhos

como todos os outros


já gastamos as palavras  agora quando digo meu amor já não  se não

passa absolutamente nada e no entanto antes  das palavras  gastas

tenho a certeza que todas as coisas estremeciam sò de murmurar 

o teu nome no silêncio do meu coração


não temos já nada  par dar dentro de ti não há nada que me peça

água o passado è inútil como um trapo velho e já disse  as palavras

estão gastas  Adeus


dedicado a Ana  Pereira por fausto  fonseca

poema  de Eugénio de Andrade in  Poesia e Prosa

por te amar deste jeito sem jeito para te amar

Adeus !
 

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Poesia


 

Poemas temperados  pela transpiração

em que nòs idolatramos atè florir de

novo e repousamos baixinho em cetim

Escrevo poesia por ti e por mim


 

uma voz sábia e serena murmura

nòs aqui somos assim


enquanto a extensa planície

se enrola de vagar a pouco

e pouco 


como uma esteira a filosofia

muito simples um parente  

vital uma vida inteira

Minha Deusa

 Tu  ès  o principio e o presente eu sou agora o tempo que quiseste ontem tambèm o era mas ontem e amanhã são um tempo para mim e para ti mi...